No dia 18 de fevereiro, é celebrado o Dia Internacional da Síndrome de Asperger, uma data importante para conscientizar e esclarecer sobre essa condição que faz parte do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Mas o que isso significa na prática? Como identificar e apoiar uma criança com esse diagnóstico? Vamos traduzir esse conceito para que os pais possam entender melhor.
O que é a Síndrome de Asperger?
A Síndrome de Asperger é uma forma de autismo caracterizada por dificuldades na interação social, padrões de comportamento repetitivos e interesses intensos e específicos. Diferente de outras formas do TEA, crianças com Asperger geralmente não apresentam atraso significativo no desenvolvimento da linguagem ou na capacidade cognitiva.
“As crianças com Asperger têm um jeito único de ver o mundo. Muitas vezes, são extremamente detalhistas e apaixonadas por temas específicos, como astronomia, dinossauros ou tecnologia. Essa intensidade pode ser uma grande força quando bem compreendida e estimulada.” – afirma a pediatra Denise Bedoni, da Clin Kids.
Como a Síndrome de Asperger se apresenta na infância?
Os sinais podem variar, mas algumas características comuns incluem:
- Dificuldade em entender normas sociais – como interpretar expressões faciais ou tom de voz.
- Pouco interesse em interações sociais – a criança pode preferir atividades solitárias ou ter dificuldades em manter conversas.
- Hipersensibilidade sensorial – incômodo com sons altos, texturas ou luzes fortes.
- Fala formal ou muito detalhada – podem usar vocabulário avançado para a idade.
- Movimentos repetitivos ou rotina rígida – resistência a mudanças e padrões repetitivos de comportamento.
“Cada criança é única. Algumas podem ter dificuldades em fazer amigos, enquanto outras são extremamente comunicativas, mas não percebem nuances sociais, como ironias e brincadeiras.” – explica Dra. Denise.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da Síndrome de Asperger é clínico, ou seja, baseado na observação do comportamento da criança e em relatos dos pais e professores. É fundamental que seja feito por uma equipe multidisciplinar, incluindo pediatras, neurologistas e psicólogos.
“Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, melhor. A intervenção precoce ajuda a criança a desenvolver habilidades sociais e lidar com desafios de forma mais tranquila.” – ressalta a Pediatra.
Tratamento e acompanhamento
Não há um tratamento único para a Síndrome de Asperger, mas algumas abordagens podem ajudar a criança a se desenvolver melhor:
- Terapia comportamental – para ensinar habilidades sociais e de comunicação.
- Apoio psicológico – para ajudar na regulação emocional.
- Acompanhamento pedagógico – adaptações na escola podem ser necessárias.
- Atividades estruturadas – como esportes ou artes, que ajudam na socialização e coordenação motora.
“A chave para o sucesso é a compreensão e o apoio. Crianças com Asperger podem ter talentos excepcionais e precisam de um ambiente que valorize suas habilidades e respeite suas dificuldades.” – conclui Dra. Denise Bedoni.
O papel dos pais
O suporte da família é essencial. Incentivar a criança, respeitar suas particularidades e buscar informações são atitudes que fazem toda a diferença no desenvolvimento e na autoestima dela.
Se você suspeita que seu filho possa ter Asperger ou outra condição dentro do espectro autista, procure um especialista. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais oportunidades a criança terá de desenvolver todo o seu potencial.
Dra. Denise Bedoni
Diretora Clínica da Clin Kids
Pediatra/Especialista em Neonatologia pelo Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP).
Disclaimer: Este conteúdo tem como objetivo informar e educar o público em geral. Não substitui uma consulta médica. Somente um profissional de saúde está habilitado a fazer o diagnóstico e indicar o melhor tratamento para cada caso.